TIME: “Recusar-se a performar no show do intervalo do Super Bowl prova que a Adele é uma perfeita estrela do pop”

O notícia dada pela Adele durante um dos seus shows de que havia sido convidada para performar no intervalo do Super Bowl de 2017 e que recusara é o mais recente lacre da cantora. Ao dizer que o show do intervalo “não se trata de música”, ela diferencia-se de Beyoncé, Bruno Mars e Katy Perry, que são os mais recentes headliners do evento e no qual usaram luzes e espetáculos para chamar ainda mais a atenção para suas músicas em suas performances durante o programa de televisão de maior audiência (Super Bowl). Ela também se diferencia da Rihanna, do Drake, da Carrie Underwood, da Lady Gaga, da Ariana Grande, da Taylor Swift, do Justin Bieber, do Zayn Malik e todos os outros artistas atuais que não foram convidados para o show, embora sejam mais propícios a performar no Super Bowl do que a própria Adele.

Esta notícia eleva o status de Adele ao topo do pódio do mundo pop e, como todas as grandes tentativas da mídia em criar rumores, pode estar aquém da realidade. O NFL e a patrocinadora do show, Pepsi, afirmam que tiveram conversas com vários artistas sobre o evento, mas não fizeram uma proposta à ninguém. O que parece, baseado em matérias anteriormente feitas, normal. O show do intervalo do Super Bowl é produzido em uma estreita colaboração da liga com o patrocinador — fazer uma proposta firme a um artista sem interesse na apresentação, impedindo qualquer conversa acerca do que a essência do show poderia de fato ser ou como esse artista, poderia trabalhar com as várias partes envolvidas, seria uma jogada bem estranha. O Super Bowl é grandioso demais, a ponto de ser necessário um controle bastante rigoroso, e fazer uma proposta a um artista antes mesmo de discutir sobre o show com o tal iria totalmente contra isso.

A declaração da NFL e da Pepsi também faz muito sentido, uma vez que uma hora eles irão ter de fechar com alguém. A fama da Adele é tão grande que quem for escolhido para fazer o show, será visto como uma segunda escolha. Adele pode estar jogando de uma maneira diferente, musicalmente falando, do que muitos de seus “concorrentes”, mas é difícil acreditar que ela não esteja ciente da tentativa da NFL de apaziguar a situação e de que ela será o assunto de uma discussão durante uma evento do qual ela nem ao menos irá participar.

Porém, a questão da NFL ter contatado a Adele é o que faz mais sentido do que até a própria Adele imagina. Sim, o show ultimamente tem focado em artistas pop contemporâneos, do tipo que se presta a pirotécnicas, no sentido figurado ou literal, ao invés de baladas sobre términos de relacionamento. O show do intervalo do Super Bowl pode, atualmente, “não se tratar de música”, mas não há nenhuma razão para que isso seja ou devesse ser permanente. Na verdade, fechar com a Adele seria uma mudança significativa e interessantemente diferente para um show de intervalo do Super Bowl, que ultimamente tem recebido uma grande quantidade de pop-stars cheios de artimanhas e que pode estar preparado para uma grande mudança.

Até porque nenhum show moderno, não importa o quão simples seja, “se trata apenas de música”. Um show de Adele é potencializado por visuais de todos os tipos (sejam as imagens do telão ou os figurinos), e também por conversas com o público, o que, na verdade, foi o que deu início a todo esse assunto do Super Bowl. Talvez não seja a homenagem que a Beyoncé fez ao movimento “Partido dos Panteras Negras” em 2016, ou o leão gigante da Katy Perry em 2015, porém, é algo a mais que vai além da música. É difícil de acreditar que esse seria um show que daria bastante certo no Estádio NRG, em Houston, e diante de mais de 100 milhões de telespectadores, mas mesmo assim: Como um show super bem-sucedido, com um palco tão bem pensado ao ponto de agradar a NFL suficientemente para que a mesma demonstre um certo interesse, Adele pode ser mais parecida com Katy Perry do que ela pensa.

Matéria original – TIME.
Tradução e adaptação: Anderson Junior, Gabriela Teixeira e Ygor Ribeiro