[THE GUARDIAN] Adele: “Eu finalmente posso abrir mão do meu ex. E deixar ele saber que eu o superei”

Tem sido uma longa estrada do álbum número três para Adele, através do estrelato global, bloqueio como escritora, e o nascimento de seu filho. Com “25” prestes a sair, ela fala francamente com Tom Lamont sobre o tempo afastada, e o guia pelas músicas novas.

Numa cinzenta e úmida manhã de Outubro, Adele chega no escritório da XL Recordings em Londres, carregando um chá numa mão e o celular na outra, e as fortunas da indústria global da música na sua bolsa. “Dormi com isso acorrentado ao meu pulso,” disse Adele,  tirando um fino laptop prateado da bolsa. “Naaah. Quem você acha que sou, uma gangster russa? Eu apenas deixo perto da minha cama.” Dentro de um salão à prova de som da XL, um cômodo que está bagunçado e parecendo um dormitório, com jornais velhos e miolos de maçã sobre os jornais, Adele agacha perto de um amplificador. Dá um puxão nos fios, bate nos botões, tentando ligar o áudio do laptop.

Com 27 anos de idade, Adele está vestindo um moletom largo e escuro e uma calça justa. Seu cabelo vermelho está preso num rabo de cavalo para realçar suas argolas de ouro em cada orelha. Botas de salto alto, com camadas de glitter que estão começando a cair e deixar rastros brilhantes por onde Adele passa. Unhas postiças pintadas de preto colocadas em seus dedos, mas estão destruídas, na verdade, roídas.  “Estou 60% animada,” disse Adele ao me direcionar a um sofá ao lado de um conjunto de alto-falantes, “e nos outros 40%, estou me cagando toda.” Ela me convidou para vir aqui hoje ouvir seu terceiro álbum, o 25.

O terceiro álbum da Adele! Algo que quase se tornou um mito na nossa cultura, como a obra do escritor Salinger que não publicada ou o mito da Cidade Perdida dos Incas. Houve rumores que Adele lançaria “25” em 2013, o ano em que ela realmente fez 25 anos. Mais tarde, ela mesma deixou a entender que o lançamento ficaria para 2014 – como de fato, poderia ter ocorrido. No ano passado, uma versão do álbum ficou mais ou menos pronta, mas Adele descartou grande parte do projeto. “Eu teria ficado envergonhada caso tivesse lançado algo com o que eu havia feito. Eu estava tentando ser rápida.”

Hoje, agora, está pronto! Adele vai enviar para seu chefe todas as faixas. Uma das primeiras coisas a ser feita amanhã é produzir o encarte do álbum e depois imprimir os cartazes de divulgação. Uma grande quantidade de CDs será produzida. A edição digital do “25” vai ser feito para iTunes – para o Amazon já está pronto. Anúncios serão transmitidos. E depois disso – quem sabe?

Eu sou uma artista, eu tenho um ego que gosta de ser alimentado.

Na última vez em que Adele lançou um álbum, o 21, em 2011, ela recebeu sete Grammys, dois Brits, dois Ivor Novellos, três AMAs, dois Aims, um ASCAP, um Impala, um Mobo, dois Music Week Awards, dois Q Awards, quatro prêmios pela MTV, dois KCAs, um Glamour Award, dois ECHO Awards, dois NRJs, um Fryderyk, um Premios Oye! E um Juno Awards. Em relação as vendas, foi o acontecimento da geração, um pouso na Lua. Em agosto deste ano, o 21 ainda estava sendo comprado alguns milhares de vezes por semana. As vendas estimadas, até agora, são de 30 milhões.

“Mas veja, esta é a questão”, diz Adele. “Não há como fazer suposições. Este novo poderia vender 100.000.” Poderia. Embora, espera-se algum um tipo de bomba nuclear ou epidemia mundial que aniquile a espera do público.”Bem, eu não quero criar esperanças”, diz Adele.

Ela balança um par de botas brilhantes. “Eu não sou esnobe. Não sou ingênua. Algumas pessoas com quem falei, disseram: ‘Você vai vender, pelo menos, a metade do que vendeu antes.’ Mas não acho que as coisas sejam pré-determinadas. Não tem como saber.”

Quando eu conheci Adele, 5 nos atrás, nos não sabíamos. Era fevereiro de 2011 e a cantora, então com 22 anos e muito agitada, voou para New York por uma série de shows e entrevistas. Eu a segui por em torno de uma semana, saindo com sua pequena comitiva enquanto eles gritavam uns para os outros nos vestiários, fofocavam, assistiram a streams ilegais dos jogos de estréia da liga de futebol, e impressionavam os americanos toda vez que eles iam com suas habilidades de usar palavrões em discursos inapropriados. Quando eu achei que estava escrevendo uma história sobre uma londrina promissora (nascida em Londres, criada no sul de Londres, estudou na Brit School, assinou com XL em 2006, seu álbum de estréia 19 saiu em 2008) que estava tentando arrasar na América com o seu segundo álbum. A história do pop sugeriu que o esforço poderia agradavelmente falhar. Mas a atitude no acampamento da Adele parecia ser: talvez como o sangue, poderia não ligar pra isso.

“Aquilo foi uma loucura, aquele final de semana,” recordou Adele. “Aquilo foi no começo. Foi louco.”

Antes de voar para Nova York, Adele tinha cantado no Brit Awards de 2011 em Londres. Sua interpretação de “Someone Like You”, uma balada do “novo álbum”, se saiu muito bem. Aplausos na noite. Champanhe foi enviado para sua mesa… De ressaca, Adele subiu em um avião para Nova Iorque e quando desembarcou, tudo tinha mudado. Sua gravação ao vivo de “Someone Like You” subiu rapidamente nas paradas do Reino Unido. (Lembro-me de Adele ter desabafado: “Someone Like You” não deveria ser formalmente lançada como single agora. Seus planos foram por água abaixo.) Quando a notícia chegou que sua música era #1, ela saiu para ir à pedicure.

Adele se lembra disso como um momento de surpresa e satisfação; mas também de muito medo. “Eu estava assustada. Eu sabia que algo estava acontecendo. Não ao nível que acabou sendo. Mas eu podia sentir essa agitação toda. De repente, houve a possibilidade de fazer sucesso na América e foi, tipo, ‘foda’.” Ela diz que se sentiu estranhamente deslocada no tempo. “Quase como uma experiência extracorporal. Lembro da minha mãe perguntando: ‘O que aconteceu? O que aconteceu?'” Adele não conseguia explicar. “Eu podia sentir que algo estava por vir.”

Em pouco tempo, o “21” era #1 em quase 30 países. No Reino Unido e nos EUA, a música permaneceu no topo das paradas por seis meses. Logo, a Amazon confirmou que nunca tinha vendido tantos CDs. O Guinness continuou preparando novos livros de recordes mundiais. Depois de já ter comemorado o “21” como o álbum do ano em 2011, a revista Billboard foi obrigada a nomeá-lo como álbum do ano novamente em 2012. Os produtores de James Bond convidou Adele para cantar o tema para uma nova franquia, “Skyfall”, e quando foi lançada como single, também vendeu milhões. Ela ganhou um Globo de Ouro e um Oscar.

Na Grã-Bretanha, ela se tornou Miss Adele Adkins MBE, uma honra de prolongar seu nome, ainda que “Adele” tivesse se tornado tão conhecida pelo mundo todo. Quando os críticos da Rolling Stone decidiram que o “21” foi um dos melhores álbuns de todos os tempos por uma mulher, Adele foi destronada apenas por Patti LaBelle, Stevie Wonder, Dusty Springfield, Joni Mitchell e Aretha Franklin. Quando a Recording Industry Association of America atualizou o 21 como disco de platina para disco de diamante, Adele se tornou uma das poucas mulheres a ter alcançado o posto mais elevado de vendas, assim como Madonna, Mariah Carey, Alanis Morissette, Britney Spears e Whitney Houston.

Sua música foi a mais pedida em bares de karaokê, a mais tocada em funerais, “a melhor para passageiros nervosos”, “a mais popular para cair no sono”. Diziam que, quando uma canção de Adele tocou na rádio do hospital Leeds General, uma menina acordou de um coma.

“Um pouco sufocante”, diz Adele, olhando para trás. Num salão desorganizado na XL, ela começou a tocar o 25. Com as mãos apertadas em torno de uma caneca de chá, ela levantou a cabeça e mexeu os lábios junto da primeira faixa: “Hello, it’s me. I was wondering if after all these years…”

Esta é Hello, uma baladinha sobre a dificuldade de restabelecer a proximidade depois de uma separação e o primeiro single do álbum. “Parecia que o jeito certo para começar. Depois do eu, hum, período sabático. ” Enquanto o álbum toca, ela movimenta seus dedos em ondas durante algumas batidas das canções. Um resto de maçã – que foi deixada pra trás por algum funcionário da XL que estava usando a sala anteriormente – começa a tremer sempre que seus vocais sobem ritmicamente…

Relatórios sobre o quanto XL Recordings ganhou com a Adele não foram divulgados, mas todos sabem que foi muito. A gravadora continua ocupando o mesmo escritório de sempre, numa ruazinha no oeste de Londres. Pôsteres de artistas filiados sobrepõem as paredes da entrada e um anúncio do 21 pendurado atrás de um porta guarda-chuvas. Uma tigela de frutas com três peras murchas. Na recepção, há uma simples pasta escrita “Contas e despesas!!!” na parte da frente. Music Week supôs que a gravadora obteve um lucro de aproximadamente R$234,000,000,00 (duzentos e trinta e quatro milhões de reais) dentro de um ano de lançamento do 21.

Adele, assim como os diretores da XL, também subestimou os lucros. Embora relatórios colocam sua fortuna acima de £50 milhões de libras, ela prefere responder ao caso desta maneira: “Eu comecei a fazer compras no supermercado Waitrose.”

Outras coisas mudaram em sua vida. Definitivamente havia menos filas, tarefas desagradáveis, viagens de transporte público. Ao mesmo tempo, ela perdeu o direto de jogar conversa fiada e do anonimato da vida cotidiana. “Quando entro num lugar cheio de pessoas que não conheço, eles parar de falar. E eu entendo isso. Eu entendo. Porque eu mesmo já fiz isso no passado. É apenas… Se eu ir até alguém e perguntar o que eles fazem para ganhar a vida, eles vão dizer, ‘Oh, isso não é tão interessante, em comparação com o que você faz. ” Mas é interessante. Estou interessada. É a vida real, e eu quero conversar sobre isso. Vamos conversar sobre isso hoje e vamos conversar sobre isso novamente amanhã.”

Adele sempre esquece, com toda essa agitação diária, que ela costumava ser legal. A mais legal de todas, uma adolescente de franjas que andava por aí de óculos e fumando Marlboro, cujos amigos foram, em sua maioria, artistas, que sempre tiveram em suas bolsas, uma edição da revista Time Out marcada na pagina de shows. Quando eu vi Adele cantar ao vivo pela primeira, em 2007 num pequeno show em Londres, ela entrou no palco vestindo um vestido floral e uma expressão raivosa. Ela tocou violão enquanto bebia cerveja. Quando eu a conheci em Nova York, esta fase já havia passado. Adele estava vestida de preto, com grandes cílios e bastante delineador. O estilo hipster havia sumido e Adele possuía um estilo mais vintage.

“O que eu recusei? De tudo o que você pode imaginar. Literalmente, uma porrada de coisas. Livros, roupas, propagandas de comida, bebida, ginástica… Está é a mais engraçada. Eles queriam que eu fosse um modelo de carro. Brinquedos. Aplicativos. Velas. Foi, tipo, eu não quero fazer falsa propaganda de uma linha de esmaltes, mas obrigada pelo convite. Um milhão de libras para cantar na sua festa de aniversário? Eu prefiro cantar de graça, caso eu fosse fazer isso, obrigada…” Em um certo momento, Adele diz, “o dinheiro é tudo o que oferecem à você.”

Não que ela não tenha mordomias — tirar proveito de vantagens, serviços, gentilezas. “É muito fácil ceder a fama. Porque é fascinante. Poderoso. Realmente afeta você. Realmente, é muito difícil de resistir. Mas depois de um tempo, me recusei a aceitar uma vida que não era real.”

O que não parecia real nisso tudo?

“Tipo…” Ela pensava. “Tipo, ficar tranquila com o fato de ter pessoas fazendo as coisas para você.” Ou melhor, esperar que as coisas fossem feita para você. Eu tive alguns momentos como esse. E isso me assustou. “Eu acho que foi algo simples como ficar sem roupas limpas e não tomar a iniciativa de lavar as minhas próprias roupas. Eu estava irritada porque minhas roupas não estavam lavadas.”

TG: Quando foi isso? A: “Mais ou menos na época do 21, quando eu estava no auge da fama.”

TG: E então…? A: “E então, eu disse a mim mesma que era melhor tomar vergonha na cara e ir lavar minhas roupas!”

A: “A fama é encantadora. Poderosa. Realmente afeta você. Mas depois de um tempo, me recusei a aceitar uma vida que não era real.”

Ocasionalmente, nas musicas de seu novo álbum, Adele soa como se ela desejasse sua vida antes do “21” de volta. “Sinto saudade dos meus amigos… Sinto saudade de quando a vida era uma festa a ser festejada…”

Ela diz que não se sente nem um pouco arrependida sobre como as coisas aconteceram. “Eu acho que todo mundo pensa que não gosto de onde estou, ou do que eu fiz, ou do que eu me tornei. Mas, na verdade, eu amo isso. Eu sou uma artista e eu tenho um ego que gosta de ser alimentado.” Sinto a Adele um pouco cautelosa em relação a ser vista como uma música – aquela que fica famosa por cantar sobre coisas normais e compreensíveis, em seguida, escreve sobre o quão chato é ficar se pulando de hotel em hotel durante uma turnê. “Eu nunca escreveria um álbum sobre ‘Ser Alguém Muito Famoso.’ Porque, quem se importa?”

Ainda assim, uma letra em particular, de uma canção chamada “Million Years Ago“, aponta um certo incômodo. “Perto das ruas onde cresci”, Adele canta: “Eles não conseguem me olhar nos olhos / É como se estivessem com medo de mim / Eu tento pensar em coisas para dizer / Como uma piada ou uma lembrança / Mas eles não me reconhecem / Na luz do dia…” Isso soa como alguém… Digo, soa como alguém que pisou andou por vários lugares que ficaram silenciosos. O que isso aparenta ser?

A: “Isso é triste! Te deixa triste, Quero dizer, eu posso quebrar o gelo. Se em dentro 10 minutos as pessoas não disserem nada, vou contar uma piada, e eu vou no meu modo assustada-nervoso-faladeira, como costumo agir nos palcos e acabo fazendo todo mundo rir. Mas aí eu me sinto como se estivesse atuando. E eu não sei se isso é… tipo… Nunca vão querer me conhecer de verdade? Mas, imagino que eles provavelmente não estão lá para me conhecer… É difícil de explicar.”

TG: Tente.

“Por exemplo, talvez eu e meus amigos sairemos para comemorar o noivado de alguém. Ou o aniversário de alguém. Ou o nascimento do filho de alguém. É algo para eles e não para alguém me conhecer. Mas é nisso que se torna. Então, às vezes é mais fácil não participar.”

Uma contradição incomoda muitos famosos. Sua fama os torna magnéticos (“Olha lá! Shh!”) e, ao mesmo tempo, cria uma certa distância real ou inventada. Eles só expõe a nossa pior parte, fotos curiosas e desagradáveis. Um exemplo pessoal. Na primavera passada, encontrei a Adele em um show, a primeira vez que a tinha visto desde a nossa reunião em Nova York e depois de todo o sucesso do 21. Fiquei absurdamente e espontaneamente chocada com a coincidência de encontrar a Adele – dando um tchauzinho enquanto passava. Onde, inevitavelmente, eu passei a maior parte do show esticando o pescoço para que ela me visse.

Quando eu explicar isso, Adele sorri. Um sorriso que dizia: “me conta mais sobre isso”.

“De certa forma, eu acho o mundo todo que muda”, diz ela. “Mudam muito mais do que a própria pessoa que fica famosa.”

Alguns anos atrás, Adele arranjou um novo namorado, Simon Konecki. Em 2012, eles tiveram um filho juntos, chamado Angelo. Assistindo de longe, parece que o amor e a maternidade lhe propusera férias. Uma certa reclusão, na verdade.

“Eu não sou anti-social”, ela insiste. “Podemos esclarecer isso, por favor? Eu não parei de ir fazer compras. De ir aos parques. Museus. Eu só não fui fotografada fazendo isso.”

Nós a vimos em dois Brit Awards, duas cerimônias do Grammy Awards, e no início de 2013, ela viajou para Hollywood para o Globo de Ouro e o Oscars, que não foi muito tempo após o parto. (“Correndo para o banheiro, recebendo prêmios, para cima e pra baixo. O que muitas pessoas estavam fazendo, a proposito. Todas estas estrelas de Hollywood, alinhadas e mostrando os seios. Não, eu não posso dizer quem foi. Pois eu vi seus peitos dela.”) Depois disso, não havia muito a relatar. O Museu de Tussauds fez uma estátua de cera da Adele. Quando Adele escreveu no Twitter, no final de 2013, que ela passou na sua prova de direção, foi tudo o que ouvimos dela naquele ano.

Isso não é comum, uma cantora sumindo num momento de grande apelo comercial. Isso parecia confundir e até mesmo irritar as pessoas na indústria da música. “Adele é um peixe fora d’água.”, reclamou Phil Collins, que estava tentando entrar em contato sobre uma possível colaboração. “Eu consegui contato através de alguém, não dela”, disse Bob Geldof, quando ele estava tentando reservar um espaço no Band Aid 30 para ela. “Ela não está fazendo nada no momento.” Adele: “Eu sei que algumas pessoas estava chateadas por eu estar de férias. Até eu consigo ver que foi um pouco estranho. Mas fico feliz que aconteceu. Eu acho que foi a coisa certa. Isso acalmou tudo.”

GB: Qual foi a motivação para te fazer voltar?

A: “Hum. Meu filho.” Ela explica. “Eu me senti maravilhosa ao dar a luz; me deu uma confiança que fez com que eu me sentisse invencível. Tenho certeza que a maioria das mulheres sentem isso… No fim da era do 21, eu não me lembrava por que ainda estava fazendo isso. Eu não podia responder à pergunta: “Por que estou do outro lado do mundo? Sozinha?’ Mas, em seguida, depois que eu tive meu filho, eu pensei, ‘Sim, é por isso que eu fiz tudo aquilo.’ Pela primeira vez, me senti orgulhosa por tudo que alcancei com o 21. E agora tudo o que faço, em todos os momentos da minha vida, é parte de um legado que eu estou construindo para o meu filho. Para meus filhos, caso eu tenha mais. Eu sou movida a grandeza, muito menos por dinheiro, mas eu estou motivado pelo meu filho. Eu quero ele veja a sua mãe trabalhando independentemente. Sendo uma chefe. Se Deus quiser, fazendo sucesso novamente.”

No estúdio da XL, começamos a balançar a cabeça, as pernas, bater com as mãos nas coisas, seguindo o ritmo da música. Adele está tocando uma música chamada Send My Love (to Your New Lover). Batidas e estrondos. Uma canção com uma pitada de vingança (pense em I Will Survive ou em Irreplaceable, da Beyonce) que faz você querer sair e achar um cara infiel, só para descartá-lo e cantar essas coisas para ele até que ele esteja na rua.

Envie lembranças para sua nova namorada / Trate-a melhor.

Adele diz: “Esta é a música ‘vai se foder’.” Foi escrita sobre o cara — o ex-namorado que nunca foi nomeado — que terminou com ela quando ela ainda era jovem, inspirando as melhores e mais tristes canções do 21. “Parece óbvio, mas eu acho que você só aprende a amar de novo quando você se apaixonar novamente”, diz ela. “Eu estou nesta fase. Eu amo o meu homem profunda e verdadeiramente, e isso me coloca em uma posição onde eu possa finalmente me desvincular do meu ex. Deixe-o saber que eu o superei.”

“Meu homem”, a propósito, é como Adele se refere a Konecki; tanto como “meu filho” é a única maneira que se refere a Angelo. A política de anonimato parece ser parte de um acordo Adele fez com ela mesma, uma forma de discutir o seu novo álbum arrancar a privacidade das pessoas mais próximas a ela. Deve ter sido mais fácil manter a distância do ex-namorado malvado. De qualquer jeito, ele desapareceu! Agora, Adele tem que ser mais cautelosa. Seu relacionamento com Konecki foi relatado pela primeira vez há três anos, quando o casal passou um feriado em Everglades e foram cercados por crocodilos, ambos reais e carregando câmeras. De vez em quando, desde então, Adele teve que negar os rumores de que eles haviam casado ou se separado secretamente.

Ela suspira. Eles ainda estão juntos. “Diferente dos rumores. Sim, sim, sim, sim, sim. E muito felizes.”

Ela toca outra música, chamada “I Miss You“, a qual Adele diz que começou a escrever certa noite enquanto estava deitada na cama, sem conseguir dormir. “Eu sinto sua falta / Eu sinto sua falta / Eu sinto sua falta / Eu sinto sua falta.” Pergunto a ela o que Konecki tem a ver com música. “Meu homem é fiel”, diz Adele. “Meu homem é forte. Então, nós falamos no início, e ele disse: ‘Suas composições não tem nada a ver comigo. ” Ele está bem com isso. E é preciso ser um homem forte, acredito, para lidar com isso.”

Ela escreveu a maior parte das músicas do 21 durante uma série de sessões cara-a-cara com co-autores confiáveis. O mesmo foi feito com o 25: Adele sentada próxima a um piano com um super-produtor, como Max Martin ou Greg Kurstin, ou talvez com um alguém desconhecido (ela encontrou um colaborador, Tobias Jesso Jr, online), vendo o que surge depois de algumas dias. “Este processo provou o facilidade do ’21’.” “Esse álbum foi uma anormalidade – sem esforços.” Não foi assim com 25. Por volta da época do Oscar, e mais cedo naquele dia com o seu filho, Adele passou uma manhã no estúdio de Paul Epworth em Hollywood, com quem ela colaborou no 21.

Adele sabe que grande parte do apelo 21 foi a questão da decepção amorosa. “As pessoas encontravam um enorme conforto nele, porque todo mundo entende de decepção amorosa.” Pelo que ouvi hoje do novo álbum, ficou claro que os fãs de Adele vão amar como ela soa – elegante, temperamental, muita voz, com muitos arranjos, produções únicas, muito piano e contra baixo, aquela voz única e poderosa. As letras, no entanto, raramente falam de tristezas. Não há nenhuma música sobre términos de relacionamentos no estilo pelo qual a Adele se tornou conhecida. Enquanto o 21 soa como um curativo de feridas recentes, o 25 soa como a compreensão de cicatrizes bem interessantes.

Adele acha que umas das razões pela qual achou mais difícil escrever músicas, foi que desta vez ela não podia se deixar levar pelo seu interior, como ela havia feito anteriormente. “Eu não podia ceder a estes sentimentos só para usar a minha criatividade.De jeito nenhum. ”

Por que não? “Porque agora eu sou responsável por alguém.”

É complicado saber o quanto se deve pressionar a Adele em relação ao Angelo. Ele é constantemente, indiretamente, mencionado em suas conversas. Ela tem o nome dele tatuado em sua mão. Os garotinho de três anos de idade fez uma participação encantadora na nossa entrevista quando Adele ligou para ele e o pediu que dissesse: “Não, você não pode falar com o rapaz. Não, eu não posso tirar uma foto do rapaz. ”

Ao mesmo tempo, há sérias precauções que os pais famosos têm em conta em relação aos seus filhos. Recentemente, Adele ganhou uma ação judicial contra uma agência de fotos, Corbis, que havia sido envolvida em fotografar a primeira visita de Angelo ao parquinho sem autorização.

Como regra geral, Adele está aberta a compartilhar. Em um ponto da nossa conversa, insatisfeito com suas descrições de uma nova tatuagem de uma pomba nas costas dela, ela puxou alça de sutiã para baixo e mostrou a tatuagem. Mas as circunstâncias a obrigaram perceber o que é normal, e quando se trata do Angelo, hoje, a expressão em seu rosto demonstra certa dificuldade. Apesar de gostar de uma fofoca, ela se preocupa muito com a privacidade do seu filho. É uma contradição que Adele resume com seu jeitinho perfeito de ser,ao me mostrar sua tatuagem com o nome do Angelo e diz: “Que vaca, né? Eu não vou dizer qual é o nome dele. E então eu vou tatua-lo minha mão. ”

Quando a o álbum termina e assim que a Adele voltou de um intervalo (“Tenho que mijar!”), eu a pergunto se podemos escutar novamente uma música em particular. Uma música chamada When We Were Young – ficou na minha cabeça, precisava ouvi-la novamente.

Você parece um filme / Você soa como uma canção / Meu Deus isto me lembra / de quando éramos jovens.

A canção tem uma ambiguidade irresistível. Parece uma tristeza esperançosa. Exatamente a receita que tornou Someone Like You tão especial. Quando ela tocou a música pela primeira vez, ela parecia especialmente ansiosa, chegando a fazer pequenos ajustes no volume e em seguida, roendo as unhas. E na segunda vez, ela fechou os olhos e balançou a cabeça suavemente.

É este, então – o Tão esperado hit. Eu não consigo parar de achar que Adele arrasou, assim como ela esperava. A canção tem essa sensação – algo novo apenas esperando para se transformar na tendência dos próximos anos, escolhia em máquinas de karaokê por varias vezes, escolhida para casamentos e funerais. Uma peça principal de uma álbum que com certeza (ainda que ela cruze os dedos e duvide) irá agitar o mundo inteiro, da mesma forma que o 21 fez.

Adele não sabia ainda que Hello, seu primeiro single do 25, ao ser lançada, não muito tempo depois que nos encontramos, venderia meio milhão de cópias ao longo de duas semanas no Reino Unido e 1,8 milhões nos EUA. Ou que ficaria em #1 em ambos países e no mundo todo. Que alguém especularia que no Twitter, 25 mensagens seriam postadas sobre a Adele a cada segundo. Que seu álbum iria para o nº 1 do iTunes apenas na pré-venda.

Mas isso está por vir. No estúdio da XL, When We Were Young termina de tocar pela segunda vez, e nós nos sentamos em silêncio por um momento, tentando nos recuperar após o que tínhamos escutado. Em seguida, Adele abre os olhos e diz: “Me sinto como se eu tivesse acabado de fazer uma peça escolar, e ninguém aplaudiu ainda.”

É linda, eu disse.

Ela sorri. Adele se alonga, fazendo um arco ao encurvar a cintura. Ela bate os dedos em suas bochechas avermelhadas, pisca rapidamente, e diz: “. Bom… ufa!”

Texto traduzido na íntegra pela Equipe de Tradução do Portal Adele Brasil.