[Rolling Stone] Adele: Dentro de sua vida particular e seu retorno triunfante

“Eu sempre senti como isso se tornaria um reality show, e alguém me levaria de volta à Tottenham.”

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Conforme Adele dirige por entre uma rua ao sul de Londres com seu Mini Cooper de quatro portas, com o bebê conforto no banco de trás junto com restos de legumes no porta-copos, ela se depara com uma pergunta. “O que tem acontecido no mundo da música?” ela pergunta com toda sinceridade. “Sinto que estou fora dos acontecimentos!”

A única resposta possível é muito fácil: “Bem, tem um álbum que toda a indústria [musical] está esperando…”

“Oh, vai tomar no c*!” ela disse, dando um leve empurrão e soltando a encantadora indomada risada – uma cascata de épicos “ha ha ha” – que inspirou um vídeo no YouTube chamado “The Adele Cackle”.

“Oh, meu Deus, imagina,” ela continua, abrindo os olhos verdes. “Quem dera! Eu sinto que estou um ano atrasada.” Como se fosse o último álbum, “21” de 2011, não vendera 31 milhões de cópias em todo o mundo, numa era onde ninguém compra música, com se isso não incendiou a adoração dos pares de Beyoncé à Aretha, como se ela não tivesse ganho todos os prêmios no estilo do Prêmio Nobel da Paz.

“Mas francamente,” ela diz, “eu perdi o contato com a música. Não todas as músicas” – ela é fã de FKA Twigs, ama Alabama Shakes, foi até a multidão do Glastonbury para ver o Kanye – “mas eu sinto que não sei o que se passa nas paradas e na cultura popular.” Ela ri novamente. “Eu não me perdi da realidade. Apenas com o que é recorrente.” O sotaque londrino dela está suave ultimamente, mas ela ainda pronuncia “with” com um som de “v”.

Ela dirige sob um céu cinza e escuro até mesmo para os padrões do Outubro londrino. A chuva está por vir, desafiando o plano de Adele para levar o seu filho Angelo, de 3 anos, ao zoológico depois. Ninguém que passa nos carros a reconhece. Eles nunca a conhecem, não com esse carro. “Talvez se eu sair com o cabelo arrumado e minha maquiagem,” ela diz. “Que é um delineador! Não sou corajosa o suficiente para fazer.” Em vez disso, ela está vestida como uma estudante que quase perdeu a hora da aula, com uma calça azul-escura, casaco de fibra de plantas – que poderia ser da linha de roupas do Kanye – com leggings pretas e um Converse branco. Seu cabelo dourado está preso num coque, e ela usa um par de brincos argolas duplas também. Sua maquiagem é mínima, embora ela afirma estar com uma ou duas rugas, ela parece notavelmente jovem e traz junto uma sobremesa.

Adele acaba de sair de um ensaio com sua banda, onde ela sentou-se de frente para os músicos e cantou pela primeira vez ao vivo “Hello,” o melancólico primeiro single de seu terceiro álbum “25”, que será lançado em 20 de novembro. (Ela completou 27 em Maio, mas nomeou o álbum após começar a trabalhar nele com 25 anos: “Eu vou conseguir uma porrada de tristeza: “Por que é chamado de “25” se você não tem mais essa idade?”) “Hello, it’s me,” ela canta no começo do single, como se pudesse haver alguma dúvida. Quando ela finalmente lança a música umas semanas depois, a mesma quebra um recorde de 50 milhões de visualizações no YouTube nas primeiras 48 horas.

Com uma criança para cuidar, Adele levou um enfoque sem preocupações para fazer o álbum. Seis meses se passaram desde escrever os versos de “Hello” até gravar o refrão. “Nós tínhamos metade da canção já escrita,” diz o produtor e co-autor Greg Kurstin, que não sabia quando a Adele voltaria para acabar. “Eu tive que ser muito paciente.”

A letra soa como uma carta ao ex-namorado, mas ela diz que não é sobre pessoa alguma – e que ela esqueceu da outra pessoa que inspirou o “21”. “Se eu estivesse escrevendo sobre ele, seria horrível,” diz. ” ‘Hello’ é muito mais sobre me reagrupar comigo mesma, me reconectar.” Como o verso “olá do outro lado”: “Soa meio mórbido, como se eu estivesse morta,” diz. “Mas é, na verdade, como se fosse do outro lado de se tornar adulta, saindo viva do fim da adolescência e começando os vinte anos.”

Desde a chegada do Angelo, a vida da Adele tem sido absolutamente doméstica – absoluta não, ela enfatiza, oclusiva: “Eu estive em toda porra de parque, todos os shoppings, todos os mercados que pode imaginar.” Ela está numa relação “muito séria” com o pai de Angelo, Simon Konecki – um barbado, investidor, banqueiro que se tornou filantropo, de 41 anos, portador de um caloroso sorriso. Ela o conheceu durante o sucesso estrondoso do ’21’. “Ele me apoia muito.”, ela diz. “E isso o torna um grande homem, porque tenho muito sucesso no que faço. Meu último namorado se sentia desconfortável com o sucesso que eu tinha, e o fato de que teria que me dividir com várias outras pessoas.” (Ela se refere ao cara do “21”, apesar de ter tido um relacionamento nesse intervalo.)

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Ao contrário de vários rumores contraditórios, ela afirma que ela e ele não se casaram, muito menos, se separaram. “Eu já disse um milhão de vezes que não estou casada e todos ainda dizem que estamos.”, ela diz. “Mas, sim, estamos juntos. Não nos separamos. Nunca nos separamos. Temos estado juntos. Temos um filho juntos. Acho que isso é um grande e suficiente compromisso.”

Uma das novas canções. “Water Under the Bridge”, é sobre ele. É notavelmente uma apaixonada canção, que lembra vagamente “Human Nature” do Michael Jackson. “Se não sou a pessoa certa para você.”, ela canta, “por que estamos passando pelo que passamos?” – e o refrão entoa,”Se você vai me deprimir/me deprima gentilmente.” “Isso foi sobre um relacionamento subitamente se tornando sério, muito sério”, ela diz, “e então ficando um pouco assustada com isso, e então, percebendo que ‘Acho que isso deve estar certo. Esse é o relacionamento que quero estar até quando isso for possível.” Ela não tocou o álbum inteiro para Konecki ainda. “E se ele não gostar?”

Ela parou de fumar (“Eu amava muito isso, mas não é muito legal quando posso morrer de uma doença causada pelo fumo e meu filho, estará devastado.”) e talvez, uma bebida por semana agora. “Eu me acostumava a beber tudo que estava encima da mesa e era capaz de fazer um bom show.”, ela diz, “Mas com crianças, ressacas são uma tortura. Elas apenas sabem. Elas escolhem isso e vão a você.”

Ela é assídua numa rotina de proteção à garganta, que foi atingida em 2011, por uma hemorragia vocal que a fez cancelar as datas da turnê e passar por uma cirurgia, seguida de um retorno dramático ao palco em 2012, no Grammy. Depois da cirurgia, sua voz já aclamada mundialmente, se tornou ainda maior e puramente afinada, e ela cresceu quatro notas no topo de seu alcance. “Isso faz sua voz, tipo, nova.”, ela diz. “Isso, eu, na verdade, não gostei no início, porque eu costumava ter um pouco de rouquidão na minha voz, e não tive isso no primeiro momento.”

Adele está tentando construir resistência para seu possível retorno à estrada, então, ela está cortando o consumo de açúcar, apesar de não abolir aos carboidratos pro completo. (“Eu nunca me privei assim!”), e frequentando academia, “para entrar em forma, mas não para ficar magrela ou algo do tipo” Seu regime? “Eu lamento.”, ela diz. Risadinha. “Não sou do tipo, pulando para à porra da academia. Não curto isso. Eu gosto de levantar peso. Não gosto de ficar olhando no espelho. Vasos sanguíneos saltam no meu rosto muito facilmente, então estou consciente de que quando estou levantando peso, não os deixo saltar. E se não sair em turnê, poderá me encontrar no restaurante chinês!”

Aos 27 anos, Adele é saudável e estabilizada, com nenhum vício ou grande responsabilidade : cuidar de uma criança e uma carreira em escala global. Enfim, nada divertido? Ela nega, rindo: “Não sou divertida nem um pouco.”

Isso tudo aconteceu muito rápido. “Eu tenho isso, tipo, um massacrante anseio por mim mesma,” ela reconhece. “Todo dia eu tenho isso, como um rápido momento. Isso não tira minha vida, mas tenho saudades da vida que levava, cerca de 10 anos atrás, quando minha única responsabilidade era escrever canções para mim mesma, antes de qualquer um se importar, e chegar à escola na hora. E havia algo tão maravilhoso nisso. Você sabe? O que mais me incomoda é que não se percebe o quão maravilhoso é ser uma criança.”

Além de sua família, Adele principalmente sai com um punhado de amigos próximos que conhece há dez anos ou mais – uma escreve livros infantis, outro produz programas de TV. “Enquanto ’21’ se tornava cada vez maior, comecei a falar com todos os meus velhos amigos,” ela fala, mencionando as esperanças de leva-los à estrada, caso vá à turnê.” “Precisava deles por um bom tempo.”

Então ela tem uma equipe? “Eu ouvi sobre uma equipe,” ela fala com uma contagiante risada. “Eu desejo que minha equipe seja de super modelos. Nós somos, em nossas cabeças. Eu acho que tenho minha própria equipe.” Ela pronuncia a palavra num cômico sotaque norte-americano. “Não é tão interessante quanto outras equipes que estão por aí agora.” Ela destaca. “Mas, talvez, Rihanna possa estar na minha equipe. Isso seria muito legal. Meu Deus. Ela é a própria vida, não é? Eu a amo.”

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Adele vem de um desagradável prédio de tijolo de três andares, perto de um posto Texaco. O primeiro andar é de uma loja de descontos. Começando aos 14 anos, Adele viveu num apartamento no último andar com sua mãe, Penny. Seu pai permaneceu fora de cena desde que ela era criança – ele é o tópico de discussão que ela menos gosta, e ela se recusa a dar qualquer valor à ausência dele em sua vida. “A Minha era quarta, quinta e sexta janelas,” ela diz, apontando-as. Penny teve Adele quando tinha apenas 18 anos, e eles tiveram um relacionamento por diversão que Adele talvez comparasse a “Gilmore Girls”, se ela tivesse visto. Ela ainda vivia com sua mãe durante o sucesso do ’21’, e elas continuam próximas. “Nós sempre falamos sobre tudo,” ela diz. “Nunca houve algo que me envergonhasse sobre minha mãe, o que acho que seja a razão pelo qual nunca me rebelei.” Até esse dia, Adele nunca teve grandes problemas com ela.

Adele escreveu suas músicas para seu primeiro álbum, com grande influência do jazz e principalmente acústico, “19”, no andar de cima. Ela assinou com a poderosa gravadora indie “XL” fora da fama de suas performances no ensino médio, principalmente pela força de suas demos postadas no “My Space”. (Ela não fez nenhuma concessão aos grandes da gravadora: “Ela assinou com a XL, e falava em entrevistas sobre Spice Girls ser sua banda favorita”, disse Dickins. “Ela não falava que seu grupo favorito era Einstürzende Neubautenou ou Nitzer Ebb!”) Do outro lado da rua é o mercado africano de grandes descontos, que antes era um pub que ela trabalhava quando era menor de idade e, a Holywood Nails, onde ela fazia suas unhas. Ela voltou lá, para alegria dos proprietários, para se preparar para o BRIT Awards 2012.

Adele olha o seu antigo apartamento, sua expressão é difícil de entender a primeira instância. Suas lembranças, suas nostalgias, fazem parte de várias músicas do seu novo álbum. Sua faixa favorita é “When We Were Young” que tem estilo Elton John, escrita com a participação do cantor e compositor Tobias Jesso Jr., que também teve participação em “The Way We Were ”, uma música que trouxe lágrimas aos olhos de Adele quando ela viu Barba Streisand apresentar na cerimônia do Oscar. No último minuto, Adele mudou o nome de outra faixa de destaque do álbum, de “We Ain’t Kids No More” para “Send My Love (To Your Lover).”

A melancolia sobre a passagem do tempo, é bem presente no álbum. ”Eu tenho tido muitos arrependimentos desde que completei 25 anos”, ela diz. “E a tristeza age em mim de modos diferentes em relação a antes”. Na amável “Million Years Ago,” musica no qual parece com um mix de Madonna nos anos 90 com “The Girl From Ipanema,” Adele canta , “Sometimes I just feel it’s only me/Who never became who they thought they’d be.” Ela, percebeu que alguns caminhos na sua vida são definidos e que algumas portas ainda estão fechadas. “Existe muitas coisas que eu jamais irei conseguir fazer”, ela fala. “Não por que sou famosa, mas só porque eu acho que não terei tempo. Como ser uma jornalista, ou uma professora” .

“E eu nunca vou ser eu mesma de novo”, ela diz. “Sou mãe e estou num relacionamento muito sério, então nunca vai existir somente eu , novamente. Eu não me arrependo de nada disso. Essas não são as coisas da qual me arrependo, mas eu sinto como se eu não tivesse muito tempo pra mim. Eu era uma filha com uma mãe, agora eu sou a mãe.”

No período que Adele engravidou, ela estava sentindo sobrecarregada pelo seu próprio sucesso. Ela ficou alarmada enquanto ela estava de cama com uma voz prejudicada, enquanto existia a insistência de vender e vender em ritmo alarmante. ”Eu me senti como se tivesse perdido o controle da minha vida naquele ponto” ela cita. “Quanto maior sua carreira se torna, menor sua vida se torna.”

“Eu encontrei um pequeno espaço no meu mundo inteiro, era espaço suficiente pra mim. Isso era perfeitamente agradável. Mas a ideia de desistir daquele pequeno espaço , isso realmente me assustava.”

Ela já superou seus problemas vocais, conquistou todos os seus Grammys e estava cogitando uma mudança para New York quando ela descobriu sua gravidez, “Todos os meus planos ruíram”, ela disse. “Foi como, ‘Para agir direito, vamos ver se eu posso lidar com isso tudo e, então, conceber um bebê, ’ no entanto, hoje eu acho que a gravidez veio exatamente no tempo certo. Isso pareceu como o momento mais estranho para ter um bebê, mas eu estava começando a ter medo de tudo.” Angelo tirou de Adele o medo. “Quando eu o tive, isso fez tudo se tornar certo, e eu acreditei, porque o mundo tinha me dado esse milagre, entende? Então eu me tornei um pouco hippie, uma ‘Mãe Terra’.”

De fato, ela diz, “Eu não sei se eu teria voltado se eu não tivesse meu filho”.

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A influência musical é difícil de detectar, mas uma das principais inspirações para o ‘25’ foi o “Ray of Light” de Madonna. “Você sabe o que eu achei de tão incrível?” Adele diz. “Esse é o álbum que Madonna escreveu após ter sua primeira filha, e para mim, é o melhor. Eu estava meio ‘deslocada’ depois de conceber meu filho, por que meus hormônios estavam à flor da pele e coisas do tipo.” Ela se sentiu afastada do seu ‘eu artístico’. “Eu não conseguia encontrar muitos exemplos pra mim, eu estava tipo, ‘Foda-se, eles certamente refletiram, até alguém dizer, ‘Óbvio, Ray Of Light’”. Adele foi particularmente cativada por “Frozen”. “Eu tenho essa música como minha confiança de poder voltar e ser eu novamente”.

De volta pra casa, está quase na hora da soneca de Angelo, então ,Adele o vê numa rápida conferencia via FaceTime antes que ele adormeça (na vida real ela não tem um celular de flip, como no vídeo de “Hello”) . Ela é muito protetora do seu filho, apesar dos sucedidos processos aos paparazzi que divulgaram imagens dele , ela pede para que não descrevamos sua aparência. (Mas a título de informação, ele é muito fofo.)

Por um tempo ela estava tentando manter o nome de Angelo em segredo, mas está tatuado e uma de suas mãos- o mesmo local em que na outra mão têm tatuado ‘Paradise’. “Porque Angelo, é o meu paraíso,” disse Adele, com um toque de timidez. (Ela tem outra tatuagem enorme de três pombas nas suas costas.) Ela descobriu bem tarde que Lana Del Rey também tinha um “Paradise” tatuado na mão, uma coincidência que Adele achou hilária. “ Ela provavelmente pensa que eu sou algum tipo de fã maluca”, ela disse rindo e introduzindo uma verso do refrão de “Born to Die”. “ Eu quero dizer que sou uma fã da Lana Del Rey, mas não uma fã louca.”

“Você se divertiu na biblioteca?” Adele pergunta ao garotinho na tela do celular. “O que você leu? “
Aí se inicia uma conversa sobre de elefantes e Elmo, de botões de chocolate , macarrão e queijo antes de Adele carinhosamente direcione Angelo para sua soneca. “Você vai apertar o botão vermelho? ‘Peanut’? Aperte o botão vermelho…”

“Ele é um anjinho”, ela diz. “ Todas as coisas que eu gosto em mim, ele traz a tona, ele é a única pessoa no mundo que me diz não. Ele me controla completamente. Ele é , meu chefe e isso é tão engraçado para alguém que assiste , por que eu sou a chefa de tudo na minha vida profissional.”
Ela não deixa de se sentir culpada pelo seu trabalho afasta-la de Angelo. “Eu só me sinto mal o tempo todo”, ela diz. Mas ela toma como inspiração os shows de retorno de Kate Bush. “ Isso me fez querer apressar e acabar meu álbum,” ela diz. “Isso me fez desesperada para voltar, na verdade.” Ela tem lido esse sonho adolescente de Bush e tem a encorajado a se apresentar.” É como, ‘Eu não quero ter que esperar até meu filho ter 16 anos para mostrar à ele quem eu sou.’ Porque eu sou muito orgulhosa do que eu conquistei. E eu não era , antes do Angelo. Eu não entendia, realmente, o que eu tinha alcançado e o quão longe eu tinha ido. Porque todo mundo quer fazer alguma coisa na sua vida, e nós não temos todas as oportunidades devido aos problemas que aparecem no caminho. Então, eu me senti muito sortuda, como se as estrelas tivesse se alinhado pra mim e terem me permitido ter a experiência mais incrível do mundo.”

Quase um ano e meio atrás, Adele achou que teria canções suficientes para um álbum. Seu agente não tinha certeza, e eles levaram as demos para Rick Rubin, quem deu um valioso início ao “21” — até mesmo Adele acabou por adiar as produções devido sua rouquidão. Rubin escutou e mexeu na barba, provavelmente. Ele olhou para Adele e a disse: “Eu não acredito em você.” O grupo de músicas estava mais leve em tom que qualquer outra coisa que ela já tivera feito. “Você sabe que as músicas pop são fantásticas, mas elas não são profundas?” disse a Adele. “Todas eram assim.”

“Adele estava ansiosa para concluir o novo álbum e continuar a vida,” diz Rubin. “Eu enfatizei as partes importantes para ser verdade na voz dela, até se parecer maiores e mais trabalhosas… No novo material que escutei, estava claro que ela não era a principal autora — muitas músicas pareciam que era um álbum de um artista pop diferente. Não era apenas sua voz cantando qualquer música que a faz especial.”
“Na verdade, foi tranquilo,” Adele lembra. “Quando ele falou aquilo, não poderia ser trabalhado, eu fiquei devastada, quase chorando rios de lágrimas. Então eu falei, ‘Eu não acredito em mim agora, então não estou surpresa com essa porra que você disse.’ ” Rubin e Dickins disseram à ela que ela estava apressando. “E não é daquele jeito que se faz qualquer gravação,” ela diz. “Especialmente quando eu tento seguir o ’21’. Então eu voltei para a mesa de rascunhos, realmente.”

No começo do ano, ela passou dois meses em Los Angeles, determinada a dar continuidade no álbum. Dentre outras sessões, ela finalizou trabalhando com o popular autor pop Max Martin (junto com o colaborador Shellback) na grudante “Send My Love (To Your Love),” que pode ser a mais cativante música moderna, construída sobre um padrão no violão que Adele escreveu há alguns anos. Ela procurou Martin e disse que gostou de “I Knew You Were Trouble” da Taylor Swift (“Eu pensei que era um lado completamente diferente dela”). Mas logo ela procurou Martin no YouTube, onde ela descobriu a amplitude de suas influências, os hits que ele escreveu e cooperou para todos do N’Sync e Britney Spears à Katy Perry. “Send My Love” é a única rude do álbum, direcionada ao cara que Adele namorou entre o antes do “21” e Konecki. “É o tipo ‘Estou me fodendo, então foda-se’ de canção,” ela completa.

Uma das canções é “Remedy”, uma balada com notas de piano escritas por Ryan Tedder [vocalista do OneRepublic], que cooperou com “Rumour Has It” e “Turning Tables” do “21”. Parece com a versão de Adele de “Make You Feel My Love” do Bob Dylan, que ela regravou no primeiro álbum. “Quando a dor fica profunda e a noite te priva de dormir”, ela canta, com ternura, “Eu serei seu remédio.” Isso a fez chorar conforme escrevia, e isso tem um efeito similar aos ouvintes. “Eu escrevi para minha criança,” disse. “Mas eu canto para todos que realmente amam. Quando escrevi, eu conquistei minha confiança em escrever, pois eu acreditei em mim mesma.”

No “21”, ela chegou nas sessões com seus cadernos de anotações repleto de ideias para letras. Nessa época, ela frequentemente começava com rascunhos, puxando músicas do ar. Seus colaboradores tocariam os acordes enquanto ela improvisava letra e melodia, geralmente de vez. “É impossível perguntar por que ela está quando se senta com ela para escrever uma música,” disse Jesso. “Ela foi a primeira pessoa que consegue cantar palavras do nada e isso é incrível.” O acessor de Jesso o disse que ele poderia escutar a voz de Adele do outro lado da casa quando eles estavam gravando, e que estavam praticamente chacoalhando as fundações.

Ela e Bruno Mars fizeram uma tentativa com uma música com uma tempo mais rápido mas criaram uma declamada balada “All I Ask”, completa com clímax e Adele engajada na maioria de seus vocais. “Nunca cantei nada do tipo antes,” ela disse. “Nunca cantei naquela altura. A parte engraçada é que Bruno estava atingindo aquelas notas no estúdio também.” (“Ela é uma superstar e audaciosa pra caralho,” disse Mars, que lembra de um pequeno desentendimento numa letra. “Uma vez ela gravou isso, e se tornou na minha parte preferida da música. ELa me desse que espera que eu esteja na plateia quando ela cantar ao vivo para me mostrar o dedo do meio.”)

Apenas um caso que uma colaboração deu errado. Ela levou um golpe na gravação com Damon Albarn, vocalista do Blur — e ele acabou dizendo para a imprensa que Adele estava “insegura” e que sua música estava “no meio da pista.” “Acabou sendo um dos momentos ‘não encontre seu ídolo’,” disse. “E o mais triste é que eu era muito fã do Blur quando estava crescendo. Mas isso foi triste e eu arrependo de sair com ele.” Eles não finalizaram a música. “Não! Ninguém estava certo. Ninguém estava apropriado para minha canção. Ele disse que eu estava insegura, enquanto eu sou a pessoa menos insegura que conheço. Eu estava pedindo as opiniões dele sobre meus medos, voltar com uma criança envolvida — pois ele tem uma criança — e então ele me chama de insegura?”

Adele queria modernizar sua música, adicionar alguns sintetizadores e pads de bateria, para mudar a vibe jovem conservadora do “21” — em “River Lea”, sua canção com Danger Mouse, ela canta com acordes de teclado criados com sua própria voz. “Antes era sobre tentar com o mais estranho som que eu conseguisse,” disse Epworth, que cooperou em duas faixas do “25”. “Esse álbum parece caber na maioria dos diálogos além de ser atemporal. É quase como se tentar alcançar todos com o próprio jogo.”

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Tem quase um álbum completo com as demos de “25”. Adele é implacável no controle de qualidade, e ainda fazia ajustes finais na lista de músicas quando nos conhecemos. “Algumas músicas não são porra nenhuma,” disse. “E eu acho que há muitas pessoas erradas, pensando que outras comprarão qualquer merda velha de você.”

Adele celebrou recentemente seu aniversário no Korubuta, um pub de comida japonesa com uma vibe rock n’ roll; The Guardian o descreveu como “insanamente delicioso” e “ridiculamente caro.” Esta noite, ela retornou, e o restaurante conseguiu para nós um espaço para conversa. Tivemos uma cômica grande mesa de madeira comum. Às vezes é bom ser uma menina londrina comum.
Enquanto estudávamos o menu, que é carregado de comida frita, Adele se divertia com o fato de eu estar procurando por comida de baixa caloria. “Vamos conversar,” ela diz, persuadindo-me. Atrás dela haviam vários pôsteres em estilo vintage de astros do rock, incluindo a capa de “Axis: Bold as Love” do Jimmy Hendrix. “Vamos nós dois conversar. Esse é meu dia de conversar. Vamos ficar doidos !” Olha para o menu de novo. “Vou comer! Comer presunto – duro como filho da puta!”

Ela observa uma esquina vazia. “A última vez que estivemos lá, tinham uma TV,” ela diz. “Eles devem ter levado tudo. Mas isso passava, tipo, pornô hardcore de anime. Isso era louco! É um pouco nojento quando está comendo sushi e colocam pornô de anime.”

Ela pediu um amaretto azedo – que ela chama de bebida de “Days Of Our Lives” – mas depois muda para uma taça de Sauvignon Blanc. “Não sei se deveria ser tão feroz,” ela se lembra, “Estou sendo entrevistada.”

Adele sabe que alguns críticos usam sua imagem e música “clássicas” como arma contra as Mileys do mundo. Ela, de fato, não pensa assim. “Eu preferia não ser a pessoa que todo mundo coloca contra.” “Se elas decidem mostrar seus corpos, eu preferiria não ser essa pessoa porque isso é apenas usar uma mulher contra outra, e não carrego nenhum senso moral acima de qualquer outra pessoa. Então isso me chateou um pouco. Não que eu agora resolva passar a botar meus peitos para fora!”

Ela continua a pensar em voz alta. “Eu iria mostrar meu corpo se fosse mais magra?”

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Provavelmente não, porque o corpo é meu. Mas às vezes me pergunto se obteria sucesso se não fosse plus size. Penso que faço todos se lembrarem deles mesmos. Não dizendo que todos são do meu tamanho, mas acho que tem relação porque não sou perfeita e acho que muitos se comportam como se fossem, inalcançável e intocáveis.

Ela acha que várias questões sobre esse assunto são descaradamente sexistas. “Fui perguntada ‘Você posaria para a Playboy?’ muitas porras de vezes, isso é ridículo,” ela diz. “E é isso, por que sou mulher ou por que sou gorda?”

E, de novo, ela fala sobre todo o espalhafato causado por uma celebridade masculina que emagreceu. “O que acho curioso é a grande coisa que as pessoas fizeram por trás de Chris Pratt. Quando ele perdeu peso as pessoas falavam “Oh, meu Deus, quem iria imaginar que ele era tão fitness. Era muita atenção para quando ele era maior. Nunca vi isso com um cara.”

Adele esteve tão ocupada nestes últimos anos que ela só está vagamente consciente da recente importância do discurso feminista no cenário pop. “Se há esse momento, é muito bom,” ela diz. “Quem está fazendo? Vai me perguntar se sou feminista? Acho que poucos homens são perguntados sobre isso em entrevistas.”

Não fiz a pergunta, mas ela respondeu mesmo assim. “Eu sou feminista,” ela diz, bebendo vinho. “Acredito que todos devem ser tratados igualmente, incluindo raça e sexualidade.” Ela recorda não ser levada a sério nesses negócios cercados de homens, de encontrar a atitude ‘o que você sabe?'”É que tipo, eu sou o caralho da artista”, ela fala, sentada ereta na cadeira. “Então, eu sei a porra toda, na verdade! Tipo, não fale comigo desse jeito!”

Ela adorou ter trabalho com a Sia para o novo álbum, mesmo que as canções não tenham entrado para o resultado final (uma, no entanto, “Alive”, se tornou single da Sia). Adele percebeu que nunca tinha colaborado com uma mulher antes. “Eu amei a nossa dinâmica e nós dois lá sendo puta mandonas,” ela fala, rindo. E isso tudo, com esses produtores, eles todos cagando porque estamos lá.”

“Você acha que todos vão ficar desapontados por eu estar feliz?” Adele pergunta. São alguns dias depois do nosso jantar, e ela está vestindo uma legging e suéter parecidos com botas Margiela. Nós estamos sentados no seu moderno escritório numa tranquila rua em Nothing Hil, decorado com algum dos prêmios de Adele. Ela mostra ao canto, seu prêmio Ivor Novello de composição , mas não menciona seu Diamond Award do lado dele, que comemora mais de 10 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos.

Adele sabe que suas músicas se tornaram o consolo de seus fãs. “Se minha música pode curar o coração de alguém, então isso é a coisa mais satisfatória do mundo”, ela menciona. “ Eu não acho que o álbum tem a “vibe” ‘Whoo-hoo, estou totalmente feliz !’ Mas comigo, com minha vida amorosa brilhante, meus fãs vão ficar desapontados comigo por eu não conseguir curar seus corações partidos? Eu não quero desapontar eles. Mas ao mesmo tempo, eu não posso escrever um álbum triste, para todos os outros. Isso não seria um álbum verdadeiro, ao menos que eu estivesse triste.”

Ela gargalha ao lembrar da sua ultima entrevista à Rolling Stone, terminada com ela imaginando o que poderia acontecer se ela estivesse num relacionamento estável: “Sem músicas!” ela brincou. “ Meus fãs vão ficar, tipo, ‘ Baby, por favor , se divorcie!”

Mas ela não encara mais isso dessa forma. “Poderia ser um pouco trágico fazer um álbum sobre coração partido novamente”, Adele fala. “ Um clichê, não somente trágico! Isso seria um clichê. E se fosse sobre “coração partido”? Sobre que porra eu iria escrever? Por que eu não consigo escrever uma droga de música sobre “coração partido” novamente! Então basta virá-la e revertê-la.”

Ela entende a tentação dos artistas em criar um caos em suas vidas. “Eu poderia ter sido totalmente contaminada por isso e não ter tido um filho,” ela diz. “ Eu não achei que eu poderia viver outro momento emocional. Eu sempre amei o drama, entende? Sempre procurei amar, mas amar o drama, desde que eu era bem jovem.”

A ideia de uma longa turnê cresce na cabeça de Adele, e ela está se dando até o natal para decidir. “ Quando eu vivi outros momentos emocionais, além do drama, eu pensei, ‘ O que eu poderia fazer pra trazer algo de novo ? Turnê’.” Assim como ela analisa isso, esse álbum pode ser sua última chance em muitos anos para por o pé na estrada- uma vez que Angelo está na escola e ela não quer tirá-lo.

Adele sempre se sentiu nervosa ao subir no palco, e tem particularmente um medo de abrir a boca e não sair nada durante a performance. O que é peculiar, pois ela já chegou a perder a voz e a recuperou. “Mas isso não aconteceu durante um show,” rebate negando a ideia. Ela também tem o desagradável temor de subir ao palco e se deparar com apenas 5 pessoas na arena.

Ela receia ter mais problemas na garganta. “Se a minha garganta se for, então eu nunca vou mais vou ser capaz de fazer uma turnê novamente,” declara. “Eu vou poder consertar minha garganta de novo e trabalhar em estúdio, mas eu vou querer fazer uma coisa, e então falhar nessa coisa e depois ficar assustada demais pra tentar novamente?”

Aonde quer que cante, Adele promete agregar seu material antigo. Brincando, ela diz que é “pra sempre 21.” ”Ser definido por alguma de suas gravações é um sonho que se realiza quando se é artista,” comenta. “É como quando eu saio pra ver certas bandas –não as mencionarei- e eles não tocam o seu maior hit. Porra! Isso me irrita de verdade.

“Para o público em geral, não é o conjunto da obra que importa,” diz Adele. “Na maioria dos casos, o que realmente interessa é uma canção que os faz lembrar de algo na vida deles. Eles te levam pra o coração deles.

“Isso é, tipo, a melhor de todas as coisas.” Ela sorri, de olhos iluminados com toda a música que ainda há para ser feita. “Essa é a canção que você tem que tocar.”