Desde a sua coroação no topo das paradas, a cantora superstar está determinada a conciliar sua vida pessoal com a sua carreira. Nos bastidores de sua turnê mundial, Adele comenta sobre os desafios da maternidade, a melancolia e o mega-estrelato.

POR LISA ROBINSON | FOTOGRAFIA POR TOM MUNRO | VESTIDA POR: GAELLE PAUL | DEZEMBRO 2016

VF“Quando a Adele canta, é possível ouvir a honestidade e a pureza na voz dela. Ela cria canções profundas e expõe sua dor e sua vulnerabilidade com a voz tão emotiva. que ela tem. A Adele te faz experimentar sensações ninguém mais é capaz de fazer – ela é como um dos artistas dos anos 70.” – BEYONCÉ.
“Eu juro por Deus que dou risada de tudo que acontece de importante na minha carreira. Eu dou risadas porque acho tudo isso um absurdo do caralh*. Em algum momento, o diretor de O Show de Truman dirá que minha vida é uma sequência do filme.” – ADELE.

Um Porsche SUV Cayenne preto se aproxima da entrada do meu hotel. Adele está dirigindo e também está sozinha. Quando eu entro no carro, ela diz que adora dirigir sozinha, embora tenha um segurança andando discretamente em um carro na nossa frente. Estamos a caminho do Staples Center para o segundo show em Los Angeles da sua turnê mundial que, ao final, terá passado por 43 cidades. Adele está vestindo uma blusa de algodão branca de babado, leggings preta e sapatos de cor bege. Ela tem uma pulseira da Van Cleef & Arpels com pingentes redondos coloridos em seu braço direito. Seu cabelo está preso para cima em um coque frouxo, seus enormes olhos verdes estão cobertos por óculos de sol, e, mesmo sem maquiagem, ela é naturalmente deslumbrante.

Adele é uma pessoa totalmente sociável e totalmente relaxada, e nós, então, começamos a falar sobre Los Angeles. Ela comprou uma casa recentemente em Beverly Hills, porque ela passa muito tempo gravando aqui e se cansou de alugar casas que não fosse suficientemente adequada para uma criança ou privada; ou que a piscina estivesse quebrada, pois era apenas um desperdício de dinheiro.

No show da noite anterior, ela mandou um salve para seu novo supermercado favorito em L.A., o Bristol Farms. Ela fica louca com o queijo balsamic  do Bristol. “Eu comi tudo”, ela disse, e nós demos continuidade a conversa. Ela me mostra suas unhas postiças grandes, que, segundo ela, serão descartadas assim que a turnê acabar. Adele diz que levou semanas para arrumar as sobrancelhas, porque a única mulher que ela deixa tocar em suas sobrancelhas mora em L.A. e também diz como, depois de um mês, ela raspou as pernas porque achava que as pessoas da primeira fileira em seus shows poderiam ver suas pernas cabeludas enquanto ela corria até as escadas. Pergunto se o Simon Konecki (seu namorado há cinco anos e pai de seu filho de quatro anos, Angelo) se importava com a falta de depilação nas pernas dela. “Ele não tem escolha”, ela diz. “Eu não vou deixar nenhum homem mandar eu raspar minhas pernas. Que ele raspe as dele.”

Nós já estamos no carro há cerca de 10 minutos quando ela começa a falar sobre as maravilhas e conflitos da maternidade. Eu digo que foi corajoso da parte dela ter um filho no meio de uma carreira tão grande e bem sucedida. “Na verdade,” ela diz, “eu acho que o mais corajoso é não ter um filho; todas as minhas amigas e eu nos sentimos pressionadas a ter filhos, porque é isso o que adultos fazem. Eu amo o meu filho mais do que qualquer coisa, mas no dia a dia, se eu tiver um minuto ou dois, eu gostaria de poder fazer qualquer merda que eu quisesse e quando eu quisesse. Todo santo dia eu me sinto assim.” Eu pergunto se ela quer mais filhos e ela diz talvez não. Eu digo que mulheres geralmente querem dar irmãos para o seu filho, mas como Simon tem uma filha de um casamento anterior que está bastante presente em suas vidas, Ângelo já tem uma irmã. “Exatamente,” ela diz, “então, essa é a minha carta na manga. Eu estou muito assustada. Eu tive uma péssima depressão pós-parto depois que tive o Angelo e isso me deu muito medo. ” Ela tomou antidepressivos? “Não, não, não, não. Mas eu também não conversei com ninguém sobre isso. Eu estava muito relutante… Meu namorado disse que eu deveria conversar com outras mulheres que já estiveram grávidas antes, e eu disse, ‘Que se fod*, eu não vou perder meu tempo com uma porr* de grupo de mães’. Até que, sem nem perceber, eu estava aproximando de mulheres grávidas e outras mulheres com crianças, porque descobri que elas são um pouco mais pacientes. Você quer conversar com alguém, porém você não está realmente ouvindo, por você estar cansada pra caralho. ”

“Os meus amigos que não tinham filhos se irritariam comigo,” ela continua, “da mesma forma como aconteceria caso eu me sentasse e falasse sobre as coisas que me chateavam com os meus amigos que têm filhos, e ninguém iria julgar ninguém. Um dia, eu disse para uma amiga, ‘Eu odeio essa porra’, ela começou a chorar e disse, ‘Eu também odeio essa porra.’ E foi isso. Tudo se resolveu. O meu conhecimento de pós-parto – ou pós-natal, como costumamos chamar na Inglaterra – é que você tem a sensação de não querer estar com o seu filho; você se preocupa por achar que vai machucá-lo ou que não está fazendo um bom trabalho. Mas eu estava obcecada pelo meu filho. Eu me sentia inadequada; eu me sentia como se tivesse tomado a pior decisão da minha vida… Isso pode acontecer de diversas formas. Com o tempo, eu passei a dizer, ‘Eu vou me dar uma tarde por semana para fazer o que eu quiser, sem o meu filho. ’ Um amigo meu disse, ‘Sério? Você não se sente mal?’ Eu disse que me sentia, mas que eu não tanto quanto eu iria me sentir caso não fizesse isso. Quatro das minhas amigas se sentiam da mesma forma que eu e todas estavam muito envergonhadas para falar sobre isso; elas pensavam que todos as veriam como péssimas mães, mas esse não é o caso. Você se torna uma mãe melhor se tiver um tempo maior para si mesma. Eu estou gostando de viajar em turnê, mas ao mesmo tempo me sinto culpada por estar fazendo essa turnê enorme. E mesmo que o meu filho esteja comigo sempre, há noites que eu não consigo colocá-lo para dormir. Eu nunca me sinto culpada quando não estou trabalhando. Você tenta constantemente recompensar coisas quando se é mãe. Eu não me importo, porque o amor que eu sinto por ele…. Eu não ligo se nunca mais puder fazer algo para mim mesma de novo.” E enquanto ela trabalha, uma babá cuida do seu filho, é claro, mas ela não é uma dessas mães celebridades que deixa seu filho com uma babá mesmo depois de ter terminado seu trabalho.

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VOZ DA RAZÃO

Adele em um sofá vintage de Michael Taylor.

Foto por: Tom Munro; Vestida por: Gaelle Paul; Direção por; Jessica Diehl.

Nós conversamos sobre as eleições presidenciais americanas. “Nós só conhecemos Trump pelo programa O Aprendiz,” ela diz, “então achamos que uma estrela de reality show está se candidatando a presidente. Eu não acho que alguém deve construir muros, ou alguma merd* desse tipo, agora. A minha opinião é que devemos cuidar uns dos outros. Todos devem votar.”

Ela conta como se comunicava durante o período de sete semanas em que não conseguia falar devido à sua cirurgia vocal em 2011, “Eu escrevia tudo em um papel. O que era legal, porque foi bem no começo do meu relacionamento com meu namorado, e agora temos tudo isso gravado para nossos filhos.” Ela acrescenta que não está casada com Simon e que não precisa disso; Adele pensa que o fato dos dois terem gerado um filho é um grande comprometimento. E fala também que em vida “real”, sem trabalhar, ela é extremamente privada e tão protetora com o seu filho que, segundo ela, “Eu processaria até o rabo de qualquer um que tentasse se aproximar do meu filho.”

Quando chegamos nos bastidores do estádio Staples Center, Adele – dez vezes ganhadora do Grammy – diz estar um pouco nostálgica em relação a arena porque é lá que acontece o Grammy Awards. Entramos no enorme e privado camarim dela e eu percebo que ela é mais alta do que eu imaginava. Ela diz que tem 1,75m de altura. Adele tira os sapatos e anda descalça pelo tapete. O recinto possui cortinas brancas, grandes sofás e uma televisão na parede. Em uma parte do camarim, está montada uma área com brinquedos para criança com uma motocicleta de brinquedo; uma cozinha com potinhos, panelinhas, copos e temperos; jogos; uma caixinha de giz de cera e livros. Há incensos acesos e uma mesa repleta de maquiagens no cantinho. Ela diz que tem mais 20 minutos para conversar antes de fazer a passagem de som que dura cerca de dez minutos e depois ela terá o aquecimento vocal que durará mais dez minutos e que depois podemos conversar mais enquanto fazem a maquiagem dela. Pergunto se ela é sempre tão organizada assim. Ela admite que sempre esteve em total controle de tudo. “Provavelmente, herdei isso a minha família. Eu venho de uma grande familia cheia de mulheres que faziam tudo sozinhas”.

Mais tarde, o empresário da Adele, Jonathan Dickins — a única pessoa que ela confia tamente além do seu na morado — me diz: “Eu a conheci quando ela morava em cima de uma loja fe conveniência, perto de um posto de gasolina e ela era do tipo que entrava numa sala e estava pouco se fudendo pro fato de estar falando ou com o faxineiro ou com o diretor da gravadora. Essa era ela aos 18 anos e ela continua assim aos 28 anos: totalmente serena, completamente dona de si. Adele diz: “Minha vida inteira gira em torno do meu filho, então tudo tem um tempo certo, porque ele está numa rotina.”

Nos sentamos no sofá e a perguntei se ela ainda tem aquele famoso medo de palco. “De uma maneira diferente”, ela disse. “Ao invés de ter ânsia de vômito e tentar fugir do palco, eu fico nervosa”. Ela diz que antes ela não tinha que fazer turnês e que não entende por quê as pessoas são tão viciadas em fazer turnê. “Eu gostaria de continuar gravando CDs, mas não me importaria caso nunca mais ouvisse os aplausos novamente. Estou em turnê apenas para ver todos que têm me apoiado. Não me importo com o dinheiro. Sou britânica e nós, britânicos, não temos essa coisa de ganhar cada vez mais dinheiro. Não faço o que faço por dinheiro; isso não é tão importante na minha vida. Obviamente eu tenho coisas legais, moro num lugar melhor do que o qual eu nasci. Essa era a minha meta desde que eu tinha sete anos de idade. Eu pensava: “Não vou viver aqui”. Não me importava como eu sairia de lá ou onde eu viveria, mas eu sabia que não iria ser lá que eu iria viver. Eu amo ser famosa por causa das minhas músicas, mas eu não gosto de estar na mídia. Eu amo fazer música, amo fazer shows e eu precisava voltar ao trabalho. Não por causa do dinheiro, mas porque alguma coisa estava faltando. Eu não estava criando músicas. Mas há uma enorme diferença entre o que eu faço quando estou trabalhando e o que eu faço quando não estou trabalhando. Não acho que eu deveria ser famosa por ir à uma loja de conveniência ou à um parquinho”. Adele diz que quando ela ficou famosa, as pessoas da família dela venderam informações sobre ela e que alguns amigos de infância venderam fotos. “Eu gosto quando há dinheiro envolvido, mas as pessoas podem arrumar um emprego. O problema é que não se pode falar do lado negativo da fama, porque as pessoas têm esperanças e eles se agarram nessas esperanças de como seria ser famoso, ser adorado, ser capaz de criar e fazer coisas legais”. E ela completa, “dinheiro faz com que as pessoas ajam de forma bizzara. É como se ficassem intimidadas pelo dinheiro, como se eu vestisse a porra do meu dinheiro.”vf4

Adele, pronta para seu close-up.

Fotografias por Tom Munro; Vestida por Gaelle Paul; Dirigido por Jessica Diehl

Uma nota sobre a risada da Adele, que aparece de vez em quando e foi descrita como “uma risada de pato”, mas que na verdade é mais parecida como um explosão rouca de apreciação à algo que ela ou alguém disse. De acordo com Beyoncé: “É tão fácil conversar com ela e estar com ela. Ela é engraçada demais e os retornos dela são legendários. A coisa mais linda em relação à Adele se concentra totalmente nas pessoas. Ela é uma mulher graciosa e o ser humano mais humilde que eu já conheci.”

Adele Laurie Blue Adkins nasceu há 28 anos em Totenham, Londres. Foi criada, em geral, por sua mãe, Penny, com a ajuda dos avós paternos. Aos sete anos de idade, ela sabia que podia cantar e passar anos em seu quarto fingindo ser a cantora britânica Gabrielle ou as Spice Girls. Ela se formou na BRIT School for Performing Arts and Technology em 2006 e foi rapidamente “descoberta” por conta de uma demo postada no MySpace. Ela assinou contrato com a gravadora XL aos dezoito anos de idade e ao mesmo tempo, ela contratou Dickins, seu assessor – membro de uma família britânica que lida com negócios do ramo da música ao longo dos anos – e continua com ele até hoje. Em 2008 ela lançou seu álbum de estreia, 19, com o hit “Chasing Pavements” e em outubro de 2008 ela fez uma participação no programa Saturday Night Live (na noite em que Sarah Palin estava lá) que serviu de piloto para sua carreia em solo americano – onde seu álbum recebeu disco triplo de platina.

Antes do lançamento do 19, quando ela queria queria assinar um contrato Norte Americano, ela foi até a Columbia Records. O atual presidente e dono da empresa, Rob Stringer, disse: “Ela andou pelos nossos corredores com um cigarro na boca e ela viu fotos na parede da Barbra Streisand, do Bob Dylan e da Beyoncé e ela estava tipo: ‘Eu estarei bem ali’.”

Adele ganhou dois Grammys em 2009 e o resto todo mundo ja sabe. Uma década marcada pela ascenção de uma cantora que não dança, não faz performances com grandes produções, não se veste como uma prostituta , não faz playback, não faz propaganda de nenhum produto e, pra lembrar, não usa as palavras “minha marca”. Rob Stringer diz: “Adele tem tempo pra focar na sua música, porque ela não perde tempo fazendo shows privados ou comerciais para Coca-Cola”.

Tudo levou a um grande recorde de vendas em tempos em que as pessoas haviam parado de comprar CDs. Em janeiro de 2012, ela lançou o 21, com grandes hits como Rolling in the Deep e Someone Like You. O album se manteve em primeiro lugar nos charts da Billboard por 24 semanas e no top dos cinco melhores por 49 semanas consecutivas — o único a conseguir isso na história da Billboard. Entre 2011 e 2012, o álbum 21 vendeu, mundialmente, mais do que qualquer outro álbum desde Thriller do Michael Jackson em 1983 e 1984. Até hoje, o 21 já vendeu cerca de 35 milhões de cópias. Ela saiu do Grammy de 2012 com seis prêmios, incluindo o de Gravação do Ano, Canção do Ano e Álbum do Ano. O produtor Rick Rubin, que trabalhou com a Adele no 21, disse que apesar da voz única que ela possui, ela tem um dom de composição incrível. “Nós sempre discutíamos sobre como aproveitar a maioria das canções e nunca as deixar de lado. Ela que começava a compor todas as músicas; às vezes, ela gostava de ter um colaborador para ajudar a finalizar uma parte ou outra, mas as melhores ideias vinham diretamente dela”.

Em dezembro de 2013, o Príncipe Charles honrou Adele com o título de MBE – Most Excellent Order of the British Empire (Mais Excelente Ordem do Império Britânico) por sua música. Seu terceiro álbum, 25, que lançado em 2015, passou 10 semanas no topo das paradas norte-americanas; o clipe para o primeiro single, Hello, foi visto mais de 1,6 milhões de vezes por hora nos dois primeiros dias em que foi lançado. Recentemente, rumores não confirmados afirmam que ela renegociou seu contrato com a Columbia Records por cerca de 130 milhões de dólares. De acordo com Rob Stringer, “Só este ano, o 25 já vendeu 10 milhões de álbuns físicos e digitais — muito mais do que qualquer outro artista conseguiu vender.” Adele também ganhou um Oscar em 2013 pela música tema de James Bond, Skyfall; seu especial de televisão, Adele Live in New York, foi indicado para quatro Emmys e ela provavelmente receberá várias indicações ao Grammy Awards este ano por causa do 25. O apresentador de TV James Corden, cujo quadro de seu programa Carpool Karaoke com a participação da Adele teve mais de 130 milhões de visualizações online, disse: “Adele é a maior estrela do planeta e ainda assim, ela ainda está no mundo com a gente. Como performer, ela nos representa; muitos dos sentimentos que ela expressa em suas canções, são sentimentos que todos nós temos. Ela é fiel a si mesma e totalmente autêntica. “

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HELLO, IT’S ME

O dia após o segundo show em Los Angeles, Adele tirou o dia de folga e nós nos encontramos em um quarto privado no Soho House para almoçar. Ela chega na hora marcada, vestindo uma túnica preta e sandálias gladiadoras. Seu cabelo está para cima e, mais uma vez, ela está sem maquiagem. Ela diz que não pode mais beber cafeína e pede um café descafeinado, um sanduíche torrado com abacate e divide batata frita comigo. Ela só checa o telefone uma vez, para se certificar de seu filho está dormindo. Nós nos falamos por mais de duas horas. Discutimos o show dela e como ela consegue fazer uma arena parecer algo tão íntimo. Adele traz as pessoas da plateia ao palco para um abraço, mas na noite anterior quando ela trouxe ao palco uma sósia, a drag queen chamada Delta Work, que, descaradamente, anunciou seus próprios eventos para o público.

A Adele alterna entre quatro vestidos idênticos de lantejoulas feito pela Burberry para os seus shows. Depois do show, ela faz uma rápida mudança de roupa para entrar no carro e ir para casa com Simon. “É como o America’s Got Talent”, ela diz. “Eu saio da minha cinta!” Adele diz que fica “puta” quando vê as pessoas na plateia checando seus celulares (sem lembrar de quando ela chamou a atenção de uma mulher em Verona, Itália, que estava filmando-a com uma câmera profissional em um tripé). “As pessoas preferem ter uma foto para mostrar para outras pessoas do que realmente desfrutar o momento”, diz ela. “É estranho, quando eu comecei, quase 10 anos atrás, ninguém usava os celulares desse jeito. Eu fazia shows para as pessoas. Agora eu faço shows para 18 mil celulares. Tem muito a ver com as luzes…, mas ninguém está realmente olhando para o mundo, eles estão mexendo em seus celulares o tempo todo. Além disso, o Wi-Fi… esse troço vai nos matar por dentro. Ele está em todo lugar! Eu estou te dizendo! Daqui a uns 25 anos, vamos perceber isso.”

Nós não tomamos bebidas alcoólicas. Ela diz que costumava beber muito, mas que desde a sua cirurgia vocal e o nascimento do seu filho, ela parou de fumar e agora bebe, no máximo, dois copos de vinho por semana. “Ficar de ressaca sendo mãe de uma criança pequena é uma tortura”, diz ela. “Imaginem uma criança irritante de três anos de idade que sabe que algo está errado; é um inferno.” Adele diz que nunca teve nenhum tipo interesse em drogas, porque quando era mais jovem, alguém de sua família morreu de uma overdose de heroína e “isso me assustou pra caralh*. Sou cagona demais para experimentar drogas. Eu gostava de ficar bêbada, mas como eu fiquei mais famosa, eu provavelmente acordaria na manhã seguinte me perguntando que merda eu havia dito e para quem eu disse. Eu nunca tive apagões, mas quando se está bêbado e se está em uma festa, você fala com qualquer pessoa. Posso ver de uma perspectiva externa que eu nunca vou escrever músicas tão boas quanto as que estão no 21, mas eu não sou tão ‘misericordiosa’ como antes e nem tampouco tenho tempo para sofrer como antes. Eu estava completamente fora de mim enquanto escrevia aquele álbum e uma pessoa bêbada sempre fala a verdade. Eu bebia duas garrafas de vinho e fumava vários cigarros em seguida. Então, eu escrevia músicas deprimentes e na manhã seguinte, eu pensava: ‘Porra, essa ficou muito boa’. Então, eu encontro a melodia certa para música. Porém, desde que eu tive meu filho, não sou tão imprudente como antes. Tenho medo de um monte de coisas, agora, porque eu não quero morrer; eu quero presente na vida do meu filho. Estou muito cautelosa, considerando o fato de que eu nunca fui cautelosa antes. Eu nunca teria feito qualquer coisa antes que me mataria, mas agora eu evito qualquer coisa que seja remotamente perigosa, como caminhar na beira da rua. Eu prefiro caminhar no campo ou na grama, ao invés de andar pela estrada, para evitar que um carro me atropele. Além disso, eu não saio mais que nem antes. Vou a jantares bastante civilizados, resolvo as coisas quando necessário, mas as pessoas precisam me arrastar, literalmente, para que eu passe por um tapete vermelho”.

Adele me diz que ela se considera mais uma “lamentadora” do que uma cantora, e que as cantoras que ela gosta são “incríveis e que estão num nível bem elevado” e logo cita Etta James e Ella Fitzgerald, porque ambas foram suas primeiras influências na música. Adele ama Beyoncé e diz que a cantora faz parte da sua vida desde os 11 anos de idade, quando as Destiny’s Child lançaram o single No, No, No. “Ela é minha Michael Jackson”, diz Adele. As outras duas mulheres ela diz reverenciar são: Stevie Nicks — “Não consigo encontrar as palavras para descrever o quanto eu a amo.”— e Bette Midler. Sobre Bette, diz ela, “Eu, obviamente, a amo há anos. Eu gosto do humor dela, fora que ela é cantora foda demais. Realmente surpreendente. Quando eu assisti ao show dela, senti como se estivesse realmente assistindo a última lenda. Ninguém mais é assim.” Ambas retribuíram a admiração: “Adele é grandiosíssima”, diz Stevie Nicks. “É muito gratificante ver o sucesso dela. When We Were Young me faz chorar. Eu acredito que ela possa fazer qualquer coisa. E eu acredito que ela vai fazer de tudo.” E Bette, que foi ao show de Adele no Staples, na noite anterior, me disse: “A voz da Adele é tão bonita, tão flexível, e ela pode fazer qualquer coisa com essa voz. A lance todo é que ela te atinge de uma forma…. Ela é absolutamente hilária e seus shows são uma loucura — não só por causa das grandes canções e da musicalidade, mas por causa da conexão completa que ela tem com o seu público e a sua capacidade de fazer todos rirem e depois chorarem. “

Adele diz: “Todos os dias, conforme fico mais velha, eu aprecio as mulheres cada vez mais. Quando se tem entre 15 e 19 anos, talvez você veja as mulheres como concorrência, ao contrário de vê-las como pessoas que salvam vidas, seguram a sua mão e que passou por praticamente tudo que você já passou. Então, quanto mais mulheres na minha vida, melhor”. Quanto ao seu relacionamento com Simon, que comanda a fundação Drop4Drop sem fins lucrativos, Adele atribui a diferença de idade entre ela e ele como a razão pela qual ele é tão tranquilo em relação ao sucesso dela (Simon é 14 anos mais velho que ela). “Não tenho desejo algum de estar alguém da área de show business, porque todos nós temos egos. O Simon não é ameaçado por nenhuma fase da minha vida que eu esteja passando e isso é uma coisa incrível. É o relacionamento mais sério no qual eu já estive; nós temos um filho e vivemos juntos. Após lançar meu primeiro álbum, todas as outras pessoas com quem eu já tinha tido algo eram inseguras demais quanto a si mesmos, eles não conseguiriam lidar com isso de forma alguma. Quando eu tento explicar isso aos meus amigos, eles nem sempre entendem, porque costumam sair com pessoas da nossa idade, mas o Simon já é um alguém definido e eu ainda estou no processo de me tornar quem eu serei. Ele é confiante. Ele é perfeito. “

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Adele diz: “Todos os dias, conforme fico mais velha, eu aprecio as mulheres cada vez mais. Quando se tem entre 15 e 19 anos, talvez você veja as mulheres como concorrência, ao contrário de vê-las como pessoas que salvam vidas, seguram a sua mão e que passou por praticamente tudo que você já passou. Então, quanto mais mulheres na minha vida, melhor”. Quanto ao seu relacionamento com Simon, que comanda a fundação Drop4Drop sem fins lucrativos, Adele atribui a diferença de idade entre ela e ele como a razão pela qual ele é tão tranquilo em relação ao sucesso dela (Simon é 14 anos mais velho que ela). “Não tenho desejo algum de estar alguém da área de show business, porque todos nós temos egos. O Simon não é ameaçado por nenhuma fase da minha vida que eu esteja passando e isso é uma coisa incrível. É o relacionamento mais sério no qual eu já estive; nós temos um filho e vivemos juntos. Após lançar meu primeiro álbum, todas as outras pessoas com quem eu já tinha tido algo eram inseguras demais quanto a si mesmos, eles não conseguiriam lidar com isso de forma alguma. Quando eu tento explicar isso aos meus amigos, eles nem sempre entendem, porque costumam sair com pessoas da nossa idade, mas o Simon já é um alguém definido e eu ainda estou no processo de me tornar quem eu serei. Ele é confiante. Ele é perfeito. “

Perguntei a ela sobre seu posicionamento em relação aos serviços de streaming, e ela disse, “Todo mundo diz que streaming é o futuro, e bem, se isso é o futuro, nós não estamos na porra do futuro ainda. Eu quis provar que, se as pessoas gostam o suficiente dum álbum, elas vão sair de casa e comprá-lo. E foi o que aconteceu. ” Adele diz que está nesse ramo há muito tempo e mesmo que possivelmente não venha a fazer uma longa turnê como essa novamente, talvez, um dia, ela fará residência (shows consecutivos em um único local) em algum lugar, como Las Vegas. E que amaria estar na Broadway, especificadamente interpretando Mama Rose, no musical Gypsy. Mas, ela diz, “Só quando eu tiver uns 50 anos.”

Uma vez que estamos encerrando, ela também se prepara para voltar para casa, pra Simon e seu filho, ela diz, “Eu quero cantar essas músicas quando tiver 70 anos. Ter uma música, qualquer música. Todos os meus relacionamentos são mais importantes para mim do que qualquer turnê que eu venha a fazer. Se o meu relacionamento com o Simon ou com o Angelo fosse prejudicado, eu desistiria da turnê. Minha vida é mais importante para mim do que qualquer coisa que eu esteja fazendo, porque como é que eu vou gravar uma porra de um álbum se eu não tiver uma vida? Se eu não tiver uma vida de verdade, é o fim, de qualquer jeito.”